segunda-feira, 16 de abril de 2012

Moinhos da minha aldeia

Os moinhos fazem parte das nossas memórias!... Aqui fica a canção interpretada pelo coro de USB
http://youtu.be/N_4E9bC4A-s

 Moinhos da minha aldeia
já desmantelados
mas ainda lá estão
hoje já não têm eira
com uma joeira
que limpava o grão

Quem não conhece o moinho
ou é pequenino
ou não tem memória
vamos aos jovens contar
para cá ficar
do moinho a história



Moinhos eram brancura
sinal de fartura
quando vento havia
estão agora abandonados
un pouco espalhados 
pela freguesia

Quem não conhece...



Taleigo em saco branquinho
vinha no burrinho
com seu passo lento
e quando a casa chegava
o pão se amassava
p'ro nosso sustento

Quem não conhece...

Hoje olhamos com carinho
o velho moinho
que moía o grão
bela missão de nobreza
pois em cada mesa
                                                                                    não faltava o pão

                                                                                   Quem não conhece ...

Autora: Natália Canário

!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Carnaval 2012 - O rancho da azeitona saiu à rua...

O grupo prepara-se para integrar o desfile e recriar o rancho da azeitona, actividade de grande relevo na nossa terra até à década de setenta do séc. XX
Alguns elementos do rancho onde não faltava a vara, os panos, o saco da "pulgueira" e a cesta
Na cesta seguiam os produtos que serviam para fazer a adiafa: a broa, o chouriço, as azeitonas, as filhós... o garrafão da pinga também não foi esquecido...


No palco cantando canções de antigamente...











Belas azeitonas foram distribuídas....
Terminado o trabalho a "rancho" regressa bem animado...




sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

MEMÓRIAS DE NATAL- RECEITAS


Filhós de aguardente
(doce típico do Natal na região do nordeste Alentejano)
Ingredientes:
1k de farinha de trigo
2,5dl de azeite frito com uma casca de laranja e uma côdea de pão
Sumo e raspa de 1 laranja
1dl de aguardente
Sal q.b.
Azeite q.b. (para fritar)
Açúcar em pó q.b. (para polvilhar)
Num alguidar de barro, coloca-se a farinha e faz-se um buraco no meio, onde se deita o azeite bem quente, (depois de coado) e amassa-se tudo. Juntam-se os restantes ingredientes e voltam-se a amassar até a massa estender com o rolo. Esta descansa ao calor (era à roda do lume) durante cerca de ½ hora.
Entretanto, numa frigideira, coloca-se o azeite e deixa-se aquecer.
Com o rolo estende-se a massa o mais fininha possível, recorta-se com uma recortilha em forma de rectângulos, quadrados ou triângulos, fazendo desenhos no meio, e fritam-se as filhós.
Depois de fritas polvilham-se com açúcar branco.
(antigamente as pessoas não diziam FILHÓS mas FELHOSES)

Receita recolhida por Emília Carvalho  




COSCORÕES DA MINHA MÃE

Ingredientes

2 kg de farinha
250 g de margarina
500 g de açúcar branco
250 g de açúcar louro
4 ovos
fermento inglês
um cálice de vinho do Porto
uma pitada de sal
raspa de um ou dois limões
raspa e suma de uma laranja

Como fazer:

Derrete-se a margarina e o fermento em água morna.
Num alguidar, de preferência de barro, juntam-se todos os ingredientes com a farinha e misturam-se muito bem.
Junta-se água morna a pouco e pouco, até a massa ficar bem ligada.
Amassa-se energicamente acrescentando mais água até a massa se poder estender sem quebrar. Está pronta a repousar.
Polvilha-se a massa com farinha e tapa-se com um pano e uma manta. Deixa-se repousar  em lugar quente para levedar, durante cerca de ½ hora, mais ou menos, dependendo do tempo quente ou frio.
Quando a massa estiver crescida até à altura que tinha a farinha, antes de molhada, já deve estar lêveda.
Estende-se a massa com o rolo e com a recortilha talham-se os coscorões.
Fritam-se em óleo bem quente. Depois de todos fritos, faz-se a calda.

Para a calda:

Ferve-se água com casca de limão e adoça-se bem com açúcar. Deita-se essa água num prato grande  e passam-se um a um, muito rápido, os coscorões. Escorrem-se e colocam-se num tabuleiro, em camadas, polvilhando todas as camadas com uma mistura de açúcar louro e branco. Quem gostar pode juntar canela.
Deve-se ir acrescentando água bem quente, porque à medida que se vão molhando os coscorões esta vai arrefecendo.
Estão prontos os coscorões.

Bom apetite!!!

 Receita  recolhida por Trindade Sardinha

MEMÓRIAS DE NATAL- RECEITAS


COSCORÕES

Ingredientes

½ kg de farinha
½ kg de açúcar
3 ovos
1 c/sopa de azeite
sal q.b.
canela e erva doce a gosto
raspa de limão
fermento inglês

Juntam-se todos os ingredientes num alguidar, desfaz-se o fermento em água quente/morna e envolve-se nos ingredientes. Amassa-se tudo muito bem. Corta-se a massa duas ou três vezes e vai-se amassando até ficar bem ligada.
Deixa-se repousar até levedar, bem tapada e em lugar quente, de preferência.
Quando a massa estiver lêveda estende-se com o rolo, corta-se com a recortilha e frita-se em óleo bem quente. Por fim polvilham-se com açúcar e canela.

Bom apetite!


Receita recolhida na Ribafria por Isabel Dinis

MEMÓRIAS DO MEU NATAL- III



“A preparação da festa é o que dá mais valor à festa”

Preparação do presépio

Antes de se armar o presépio a casa era toda caiada, lavada e arrumada... tarefas em que participava toda a família, tanto novos como velhos.
Depois de escolhido o local  da (sala) casa de fora onde iríamos armar o presépio, enquanto uns improvisavam uma mesa, outros partiam para os pinhais em busca de musgo, heras, fetos, azevinho, vasculho de bolinhas vermelhas, cascaretas, toros cobertos de musgo, urzes em flor, murta com as suas bagas arroxeadas, etc. As crianças de cesta no braço eram sempre acompanhadas de um adulto, nesta tarefa.
Depois, em casa, tanto novos como velhos participavam na construção do presépio que acabava parecendo uma aldeia em miniatura. Cada um colocava uma figurinha do presépio, ficando para o mais novinho a tarefa de colocar o menino Jesus.


O sapatinho à lareira

Os sapatos eram bem limpos e engraxados, no dia 24. Antes de irmos para a cama, cada um ia colocar um dos seus sapatos à lareira para que o Menino Jesus, durante a noite, lá viesse colocar algum presente.
Ao amanhecer, a cachopada corria à cozinha para descobrir o que o Menino Jesus lhe tinha deixado no sapatinho. Havia sempre algum presentinho: dois ou três rebuçados..., uma tangerina..., uma merendeira doce... um lencinho, umas meias ou um laçarote para prender as tranças...
Pequenos presentes, sem dúvida, mas muito apreciados e largamente agradecidos ao Menino Jesus.

Titi Almeida

MEMÓRIAS DO MEU NATAL- II

Recordação de Natal da minha infância


Embora vivendo num núcleo familiar muito reduzido, sempre festejávamos o Natal.
Reuníamos a pequena família (os meus pais e avós paternos e eu) para uma ceia melhorada.
O mais habitual para a refeição era o bacalhau com couve. Mas o que eu mais apreciava eram as filhós e azevias, fritos tradicionais na região.
Quanto às prendas, eram colocadas num canto da lareira pois não havia árvore de Natal e também não se dizia que era o pai Natal quem trazia as prendas mas sim o Menino Jesus.
O Natal que me marcou mais na infância, foi aquele em que recebi uma linda boneca (claro aquelas em cartão e sem cabelo) e mais ainda foi a maneira como a recebi. Habitávamos numa casa de rés-do-chão e estando eu e minha Mãe à volta do lume, o meu Pai subiu ao telhado e através dos espaços abertos da chaminé, com uma corda, fez descer um cesto onde vinha, muito bem embrulhada, a boneca e aí o meu pai jogava comigo voltando a subir o cesto até que o deixou ao meu nível.
Pobre criança ignorante, seria que não dava pela falta de meu pai? Ou fingiria não perceber o que se passava pois o que eu queria mesmo era receber a prenda do Menino Jesus.

Emília Carvalho



O Natal da minha infância

Do Natal da minha infância não tenho boas recordações. Vivi sem pai desde os cinco anos e meio e com a minha mãe e os meus dois irmãos, vivíamos muito pobres.
Há, no entanto, um episódio que eu nunca esqueci. Eu era muito pequena, não recordo quantos anos tinha, mas sei que era véspera de Natal. Quando o sol se pôs a minha mãe mandou-nos para a cama pois não tinha nada para nos dar de comer.
Não conseguíamos dormir, pois a fome era muita. Alguém nos bate à porta. Era um homenzinho, já velhote, que vivia perto da nossa casa e nos trazia uma cesta cheia de filhós. Saímos da cama, sentámo-nos à volta da cesta, que depressa ficou vazia, tal era a fome que tínhamos!

Natal de 2011
Maria Encarnação Ferreira


O meu Natal de menina

Passava todo o dia muito contente, porque era Natal. Não era tanto as filhós mas sim a ideia de ir à missa do galo e beijar o Menino Jesus.
Não me lembro de haver prendas mas sei que havia muita alegria e que éramos simples e felizes como não sei explicar.
Na minha casa havia muitas filhós e café. Quando chegava a noite os mais novos iam dormir um bom bocado, para não adormecerem na missa do galo. Quando acordávamos vinha a parte melhor, começava a festa na lareira baixinha com um alguidar bem grande de massa para as filhós. Na lareira uma grande fogueira, arranjava-se lenha mais grossa para essa noite, o tacho de barro já velhinho ao lume a fumegar onde eram postas as primeiras filhós que serviam para provar. Uma tigela servia para colocar o açúcar louro. Juntinho ao lume, no borralho, estava a chona do café. Feitas as filhós, à luz do candeeiro a petróleo, chegada a hora da missa. A minha irmã vestia-me a roupa que tinha, calçava-me e fazia-me os caracóis com um garfo quente e azeite e, que bonita ficava de tão feliz que andava.
Depois de prontos partíamos para a missa...

Maria do Carmo Boita