Recordação de Natal da minha infância
Embora vivendo num núcleo familiar muito reduzido, sempre festejávamos
o Natal.
Reuníamos a pequena família (os meus pais e avós paternos e
eu) para uma ceia melhorada.
O mais habitual para a refeição era o bacalhau com couve. Mas
o que eu mais apreciava eram as filhós e azevias, fritos tradicionais na
região.
Quanto às prendas, eram colocadas num canto da lareira pois não
havia árvore de Natal e também não se dizia que era o pai Natal quem trazia as
prendas mas sim o Menino Jesus.
O Natal que me marcou mais na infância, foi aquele em que
recebi uma linda boneca (claro aquelas em cartão e sem cabelo) e mais ainda foi
a maneira como a recebi. Habitávamos numa casa de rés-do-chão e estando eu e
minha Mãe à volta do lume, o meu Pai subiu ao telhado e através dos espaços
abertos da chaminé, com uma corda, fez descer um cesto onde vinha, muito bem
embrulhada, a boneca e aí o meu pai jogava comigo voltando a subir o cesto até
que o deixou ao meu nível.
Pobre criança ignorante, seria que não dava pela falta de
meu pai? Ou fingiria não perceber o que se passava pois o que eu queria mesmo
era receber a prenda do Menino Jesus.
Emília Carvalho
O Natal da minha infância
Do Natal da minha infância não tenho boas recordações. Vivi sem pai desde os cinco anos e meio e com a minha mãe e os meus dois irmãos, vivíamos muito pobres.
Há, no entanto, um episódio que eu nunca esqueci. Eu era muito pequena, não recordo quantos anos tinha, mas sei que era véspera de Natal. Quando o sol se pôs a minha mãe mandou-nos para a cama pois não tinha nada para nos dar de comer.
Não conseguíamos dormir, pois a fome era muita. Alguém nos bate à porta. Era um homenzinho, já velhote, que vivia perto da nossa casa e nos trazia uma cesta cheia de filhós. Saímos da cama, sentámo-nos à volta da cesta, que depressa ficou vazia, tal era a fome que tínhamos!
Natal de 2011
Maria Encarnação Ferreira
O meu Natal de menina
Passava todo o dia muito contente, porque era Natal. Não era tanto as filhós mas sim a ideia de ir à missa do galo e beijar o Menino Jesus.
Não me lembro de haver prendas mas sei que havia muita alegria e que éramos simples e felizes como não sei explicar.
Na minha casa havia muitas filhós e café. Quando chegava a noite os mais novos iam dormir um bom bocado, para não adormecerem na missa do galo. Quando acordávamos vinha a parte melhor, começava a festa na lareira baixinha com um alguidar bem grande de massa para as filhós. Na lareira uma grande fogueira, arranjava-se lenha mais grossa para essa noite, o tacho de barro já velhinho ao lume a fumegar onde eram postas as primeiras filhós que serviam para provar. Uma tigela servia para colocar o açúcar louro. Juntinho ao lume, no borralho, estava a chona do café. Feitas as filhós, à luz do candeeiro a petróleo, chegada a hora da missa. A minha irmã vestia-me a roupa que tinha, calçava-me e fazia-me os caracóis com um garfo quente e azeite e, que bonita ficava de tão feliz que andava.
Depois de prontos partíamos para a missa...
Maria do Carmo Boita
Sem comentários:
Enviar um comentário