O Natal, do meu tempo de criança, era muito pobrezinho, como era naquela altura em quase todas as famílias. Na minha casa éramos nove filhos, todos com muito fé no Menino Jesus. Juntávamo-nos à volta da lareira, nem todos podiam chegar junto do lume, muitas vezes havia roupa a secar, necessária para vestir no outro dia.
A véspera de Natal era um dia de ansiedade. Todos aspirávamos pelas 9 h da noite para nos juntarmos à nossa mãe que começava a fazer as filhós. Só tínhamos autorização para provar quando ela terminava e, mesmo aí, só podíamos comer uma filhós com um pouco de café.
Era, então, a hora de colocar o sapatinho na chaminé para o menino Jesus descer por ela a ali deixar uma prendinha que era sempre muito modesta: um lencinho, umas meias, um lacinho para a cabeça... Não havia brinquedos.
Era, então, a hora de colocar o sapatinho na chaminé para o menino Jesus descer por ela a ali deixar uma prendinha que era sempre muito modesta: um lencinho, umas meias, um lacinho para a cabeça... Não havia brinquedos.
Os adultos iam à missa do galo. Nós, crianças, não íamos porque naquela época chovia muito e as estradas estavam cheias de lama. No dia de Natal íamos nós à missa, normalmente estrear as nossas saias aos quadradinhos e às pregas que a nossa mãe fazia, assim como as camisolas de lã feita também em casa.
Era uma época muito especial!...
Trindade Fialho
O Natal da minha infância
Com que saudades recordo esse natal de outrora, em que toda a família se envolvia. Começávamos por fazer o presépio, íamos à mata apanhar musgo, azevinho e pedrinhas para fazer a gruta. À noite, ao serão fazíamos estrelas e figuras de cartão. Moldávamos em barro as ovelhinhas, e que lindas ficavam todas caiadinhas de branco!... tudo tinha que ficar perfeito, era para o nosso Deus Menino.
Tudo estava pronto, havia que armar o presépio, na sala, junto à vidraça de janela, para que pudesse ser visto por quem por ali passasse.
Também havia o trio, ou seja a preparação que a igreja fazia, antes do Natal, e onde todos participávamos.
Finalmente chegava a noite da consoada. Toda a família se empenhava a fazer os tradicionais coscorões. Era uma alegria muito grande!... Quando estava tudo terminado íamos, finalmente, preparamo-nos para assistir à missa do galo onde estreávamos a roupa nova.
No fim da missa , quando chegávamos a casa, íamos beber o café com os ditos coscorões.
Antes de irmos dormir colocávamos o sapatinho na chaminé à espera que o Menino Jesus ali deixasse uma prendinha.
E éramos muito felizes!!!
Irene Guerra Figueiredo
Sem comentários:
Enviar um comentário